CASA DE APOSTAS

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Nada sabia à época sobre realidade espelhada. Exceto a existência da Ásia: terra do contrário. Os atlas da aula de geografia, porém, maquiavam informações tornando-o idêntico aos demais continentes. Mas em nenhum outro lugar – dedução espontânea – o sol punha-se a pino em plena madrugada.

A Copa do Mundo confirmava minhas hipóteses ao me obrigar acordar ainda dentro da escuridão para assistir os jogos.

Ali próximo as oitavas de finais, a professora de educação física (também suspeita no grande complô) sugeriu um bolão da quinta série A. Bastando conduzir os vencedores até os lugares mais altos do pódio.

Um inveterado apaixonado por futebol de onze anos como eu, dono da capacidade cognitiva de enxergar as migalhas da grande conspiração – toda a dificuldade de se colorir mapas – jamais sucumbiria ao senso-comum.

Abstraído, em transe mediúnico, convencido da nitidez do fato, iniciei meu exercício de futurólogo mergulhado na verdade absoluta contida nos ancestrais ensinamentos do oriente (os quais desconhecia): sorteei os vencedores como abrindo biscoitos da sorte. E deu Coréia do Sul. O sinal celestial da aposta certeira.

Marquei, peito estufado, o lance mais ousado contra corrente de pensamento vigente no primeiro ano de Ensino Fundamental II. Exercício de epifania: para marcar geração na escola Ivan Brasil seria assim. Jogando alto. E na direção contrária ao vento. Sempre. Muito embora minha formação chegasse anônima.

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