POEMINHA PARA ACOMPANHAR DOCUMENTÁRIOS SOBRE VIDA EXTRATERRESTRE

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p/ Gabriela Souza

Os olhos estrelados a
alimentar-me porosmose

Olhos-clarão cruzando
todo este sistema

O calor da sua sílaba
exata
vivifica corpo-infinito
do poema…

MAPA

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I.
Estender-me
pelos rastros
dos grãos,
erigir por este
abismo
até
circundar
o amor psi-quê
cismo…

II.
Esgarço as linhas
fronteiriças
dessa boca-eros
castiça

III.
nenhumelemento

as mãos
vazias
aqui & agora

nenhumalinha
nenhumazinha
nenhumaminha

a pena
à quilo

caixa de
pandora

valha-me
tamanha
demora

ARRIMO

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Um vocábulo por si mesmo é incapaz
de sustentar-se, Pietro.

Veja bem: pedra.

Assim ao léu, pedra não diz nada,
pode conter qualquer simbolismo
pedra não-atirada.

A gramática como acessório de luxo
da transitoriedade,
título nenhum impede
o fluxo,
nenhum nome
salva-nos da nossa
banalidade.

PALINGENESIA

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Tornar-me digno das palavras
de algum futuro Heródoto
e deixá-lo empilhando ossos
sem datação exata.

Aceitar de bom grado perder
poemas um a um…

Como quem, por iluminação,
reconhece a necessidade vital
das borboletas em alçarem-se
depois de pousadas
nos dedos.

EXTENSÃO

o poeta esgarça a linha-fronteiriça
e com essa linha cose língua-própria
traça à partir dessa linha
da ideia da linha da ilha-saliva
por detrás da linha
oásis ideias com asas
profunda lambida
o poeta esgarça-se
linha-fronteira
& alinha
na linha
muda