PALINGENESIA

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Tornar-me digno das palavras
de algum futuro Heródoto
e deixá-lo empilhando ossos
sem datação exata.

Aceitar de bom grado perder
poemas um a um…

Como quem, por iluminação,
reconhece a necessidade vital
das borboletas em alçarem-se
depois de pousadas
nos dedos.

(RE)NASCIMENTO

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(A ressurreição de Lázaro – Caravaggio)

Para acolher em íntimo a palavra
necessita-se emudecer.
Exprimir o silêncio, tal qual Lázaro,
ter retirada a pedra
trazendo à luz a morada
eterna do verbo.

SUBLIMIDADE

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Parado ante o quadro de possibilidades: nasço. Para além do físico, como Sócrates, parteiro de mentes. Mesmo sob a forte tendência a sucumbir nessa espiral melancólica, o traço investigativo perpassa o espírito. Analiso cada sílaba atrás de equilíbrio.

Em mim, incumbência de nortear trevas. Singrá-la ao meio. E pouca importância teria o nome. Qualquer batismo limita. Mantenho-me luz: pura e irrestrita. Ganhando centímetro a centímetro todo espaço inexplorado entre linhas.

sou voz do uno
no breu, soturno,
puro desatino.
sou todos nós,
anterior, e após,
o sopro divino.

As palavras cortando o surrealismo dos passos. Flutuo. Existo nos raios de sol tombando sobre montanhas. Amanheço pelo rastro da lembrança mais vívida, essa da qual eu nunca fiz parte, mas irrompe aflorada à nitidez no sentido mais profundo; alma.

Dançando conforme o ritmo
No riso do qual se entoa:
Abnego todo algoritmo
Fingidor como Pessoa.

Deságuo lucidez letra a letra enquanto arranco o mofo amarelado da essência, prossigo subsumindo em meus outros tantos. Florescendo paulatino sobre o assombro da consciência de saber-me vivo.